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4 de ago. de 2021

Triennale Milano - minha experiência como mediadora cultural

Hoje quero contar um pouco sobre o que aconteceu nos últimos meses e falar mais profundamente sobre uma grande experiência que vivi durante o trimestre de maio a agosto, em Milão. Para quem não sabe, eu me mudei para a Itália em Setembro de 2017 para estudar Historia e Critica da Arte na Universidade Estadual de Milão, uma das melhores no ensino de Arte Contemporânea. 

Ao longo desses anos, passei por momentos de dificuldades as vezes comuns para imigrantes. Entre crises de identidade, solidão, desilusão e problemas financeiros, eu já quis desistir, já empaquei, já pensei em mudar de área profissional e enfim, essas coisas que acontecem quando não temos o preparo e a força psicológica suficiente para encarar a vida sozinha em um país tão diferente (mas isso é assunto para outro post, talvez). 

Lembro-me que lá no inicio do curso, uma amiga me falou de um estagio que estava fazendo em um museu e me convidou para ir conhecer o espaço. Ela disse que se eu quisesse, poderia me candidatar também ao mesmo cargo e que ela me ajudaria. Mas eu achei tudo aquilo enorme e não consegui naquele momento me imaginar fazendo aquele trabalho. Sentia que não falava italiano bem o suficiente e deixei a ideia numa caixinha, bem guardada, mas com um certo peso por não ter aceitado a ajuda oferecida.

Triennale Milano. Fonte: Google


Mas em Novembro do ano passado, numa das incontáveis vezes que a Itália fechou tudo em um lock down por causa do corona vírus, eu já não aguentava mais ficar em casa e comecei a pensar no que poderia fazer para mudar a situação. Foi visitando museus online (uma das coisas boas que podia fazer estando em lock down), que encontrei a oportunidade de candidatar-me a uma experiência de três meses como mediadora cultural em um dos edifícios mais importantes da Itália. A resposta veio meses depois, quando finalmente os museus puderam ser abertos ao publico e no final de Abril eu já estava em treinamento. 

5 de abr. de 2020

Reflexões

Lembro-me uns anos atrás, num daqueles datings que deviam ser românticos mas que se olharmos por outras perspectivas são quase como entrevistas de emprego. A pessoa te analisa esteticamente, observa tua postura, te pergunta coisas pessoais, quer saber dos teus sonhos, o que te inspira e a gente fica se segurando pra não ser quem é, temendo responder com sinceridade e não agradar...
Eu nunca me dei bem com flertes e esses encontros às cegas. Eu só dava certo com meus amigos. Porque eu não gosto de improvisar, e nem só não gosto como não consigo. Sou seria demais para fazer o que não condiz. Meu compromisso é comigo.

Então, eu estava num restaurante com o dito cujo, que visivelmente era de uma classe social superior a minha e estávamos lá, só os egos, numa entrevista genial em que ninguém se ouvia (e pior: ninguém se sentia).



Comecei um texto para a descrição da foto mas acabou ficando tão grande que desisti de postar.E aí, para vocês #tbt significa “Throwback Thursday” o “Turn Back Time”? 😁 (presso Paris,...



Provavelmente não consegui fingir costume com os nomes dos pratos, com os termos que ele usava pra falar das suas incontáveis viagens, mas fiz força para ignorar que eu não seria a princesa super woman, fitness, formada em Harvard, cozinheira gourmet sexy sem ser vulgar para apresentar pra mamãe que ele gostaria.
Eu tinha na verdade tendência a uma vida bem natureba e na época tinha um blog que incentivava as pessoas a comprarem no “formigão” (RB), nunca tinha cruzado na vida com um batom da MAC 3 e não saberia nem ligar o celular dele porque nunca tinha visto de perto um iPhone.

Ta bom, eu não era pobre, eu só levava um estilo de vida diferente. Era uma classe média baixa, vai... mas ao mesmo tempo que sentia muito estupida naquela conversa toda, queria ter uma prova do que eu poderia aprender com aquela situação.

Eu gostava tanto de espiritualidade, mas ele é quem tinha ido pra Índia e me falava dos rituais, da paz, do não sei o quê... E aí, em meio a um vinho que eu não saberia deduzir porque custava tão caro e outro, ele me perguntou qual era a minha viagem dos sonhos.

Tenho certeza de que ele não tinha prestado atenção nas outras respostas. Assim como eu; provavelmente acenei com a cabeça positivamente aprovando qualquer tolice que ele tivesse falado, afinal estávamos flertando e existia ali qualquer interesse velado.
ok. Ele me perguntou pra onde eu gostaria de ir no futuro. Ele que me conhecia há dois dias e já estava planejando comprarmos um cachorro de raça e viajar de lua de (ainda nem tinha um beijo envolvido na história)...


2 de jul. de 2019

Look do dia + reflexão

Primeiro a imagem embaçada. Aquela que cada um faz de acordo com sua própria concepção do que é o indivíduo. As vezes caricata, quase sempre generalizadora e constantemente equivocada.
Depois, um pouco mais de nitidez mas ainda não a verdade. Um gesto, uma roupa, o próprio corpo... mas quanto mesmo disso fala sobre o que somos por dentro?

Acho que MUITO. Mas as pessoas não estão acostumadas a ver pra além dos próprios preconceitos.
Muitas vezes eu me senti intimidada porque
 minha personalidade introversa “não correspondia” ao que todos esperavam, pois, quem aparenta tímido, segundo a grande maioria, é inseguro e se dobra ao meio pra não chamar atenção.

Mas eu sei o que condiz comigo. No processo de me conhecer, as vezes dói ter que admitir que eu me importo tanto com a aceitação alheia. Mas eu não consigo escapar dos meus gostos, do meu jeito. Nunca consegui! Isso é expressão! E a genuinidade do meu íntimo quando fala é insuperável, é irresistível.
Sou simples, mas sou assim: Gosto do gosto. Do que é belo. Como todo mundo... e me permito a ele. E entre o padrão e a falta de vontade de mergulhar na inexorabilidade do que Eu sou, as vezes, eu sei, incomodo, pareço incompatível. E que bom! * Reflexões de um começo de semestre. 🖤 grata a quem leu até aqui! Ótimo dia 

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25 de abr. de 2018

Reflexão do dia - Sobre as nossas contradições



Houve um tempo, eu me lembro, em que alguns amigos começaram a se incomodar com o meu “blog”. Parece estranho, ao contar para alguém que só me conhece pelas redes, que as pessoas próximas não concordavam com aquilo que eu fazia, mesmo não havendo uma repercussão negativa.

Eu também não gostava de ser contradita por aqueles que me cercavam. Mas eles me conheciam muito bem à ponto de ver que aquilo tudo era o extremo oposto de mim.
Os meus amigos, eu acredito, não eram contra a expressão, mas provavelmente contra a virtualização dela.

Eu sempre tive problemas de socialização e limitações inacreditáveis para me relacionar e expressar verbalmente. Sempre busquei exprimir meus pensamentos através da escrita e os poucos que chegavam até mim eram os únicos contáveis dentro da minha convivência.

Então de repente eu criei um blog, tinha 5 mil amigos no Facebook, fanpage, fui elencada entre as 99 blogueiras do mundo em um livro publicado na Inglaterra e era convidada pela TV local para falar de moda. Como isso poderia condizer com uma pessoa que nem tinha coragem de olhar nos olhos do outro dentro de um diálogo, caminhava olhando para o chão e falava para dentro?

Eu sei muito bem a resposta... hoje mais do que antes! Mesmo que atualmente aqueles amigos tenham se afastado, eu sei que também aprendi com eles. Porque eles queriam que a mudança acontecesse dentro de mim e na vida real antes de alcançar esse mundo de redes, tão cheio de “falsas verdades”, tão cheio de photoshops, tão cheio de filtros.

O que as pessoas não aceitam é a contradição!

21 de abr. de 2018

Reflexão do dia - sobre o avião

Lá de cima eu pensei: que os ventos são sempre certos, mesmo quando bagunçam tudo. No avião, eu lembrei que sempre fico tonta quando ele decola - e ironicamente escolhi um piloto pra namorar. No avião, tantas milhas acima do chão, meus pés flutuavam e minha cabeça levitava em outro plano: meditei!

Tem gente ali que só quer voar pra fugir, há quem esteja ali a trabalho, outros em busca de diversão, pra mim é sinônimo de casa: porque ele me leva pra alguém em algum lugar.

Pra alguns dá medo, pra outros adrenalina, pra mim tontura, pra outros é aventura. Tem gente que viaja sorrindo, tem gente que viaja chorando. E há quem faça os dois, porque viajar é deixar um lugar e ir de encontro a outro, muitas vezes pela primeira vez! Lá as ideias se misturam entre ontem e amanhã. Avião é uma máquina de agora com muita pressa.

Avião é transição, Avião é passarão... que como toda ave, estreita espaços e tempo de um jeito sublimin-AR.
Avião é experiência pura! É a nossa chance de ser ágil e grande. Porque estamos todos na mesma velocidade que ele, mesmo sentados {se é que me lembro bem das ininteligíveis aulas de física na escola}.

Viajar... é mergulhar na gente de um jeito novo a cada vez que os pés pousam no chão. E dessa vez, por milagre, eu não senti náuseas. Será que finalmente fiz as pazes com o avião?!  ✈️ #verborragias

19 de mar. de 2018

Desabafo | Sobre a Timidez

Uma vez me disseram que eu deveria expor o meu problema para que as pessoas se fizessem mais empáticas e me recebessem de modo menos crítico. Sem saber que não era tão fácil e "real", eu ouvi o conselho e acabei perdendo as contas das vezes que senti a necessidade de dizer: “Desculpe, eu sou tímida”. Passei tanto tempo precisando me justificar para os outros por não saber lidar bem com situações “comuns” aos grupos sociais -mas nem por isso fáceis para minha confusa mente- que cheguei ao ponto de me odiar e acreditar verdadeiramente que não era boa o suficiente. Enquanto isso, a imagem que eu passava de antipática, antissocial, metida, arrogante, estranha, já estava bem fixa para muitas das pessoas que me rodeavam e conviviam sem substancial interação.


É possível que muitas crenças me bloqueiem, é óbvio que eu não desenvolvi, como muitos aprenderam na infância, a superação daquela primeira barreira que acontece ao ver um conhecido ou desconhecido na rua e simplesmente demonstrar-se presente com uma palavra ou um gesto. Não treinei o suficiente para ser aquilo que todos esperavam: acessível, simpática, clara e sociável. Mas nestes tantos momentos comigo mesma, a busca por compreender minhas apreensões e os anseios do mundo externo, assim como a realização dos meus passos sedentos por expressão, me possibilitaram descobrir que não adianta me justificar, pois a ação é o que realmente conta nesse intenso e imediato modo de viver contemporâneo. O mundo é feroz com quem não segue a linha e a competitividade não é só no campo do trabalho, mas em todas as relações sociais; nos estudos, na academia, na TV, na vida toda!


Já ouvi muitas vezes que não pareço tímida e a última vez que me disseram, veio seguido de: “se fosse tímida, ainda estaria na casa da sua mãe e não morando sozinha do outro lado do mundo”. Essa afirmação, tão convicta como se me lesse sem pestanejar, mas tão superficial e rasa como todas as outras já recebidas, me fez -uma vez mais- concluir que as pessoas não ligam de verdade se você tem uma limitação: elas se contentam com aquilo que “PARECE”, o que aparenta ser... a típica “primeira impressão” ou até segunda, terceira, décima... pois este é o mundo em que se você é normalmente sociável e passa por um dia ruim, tem que fingir harmonia e distribuir sorrisos pra não parecer “chato”.


22 de jun. de 2017

Saudades

Há o momento em que percebemos o quanto nossas raízes extrapolam o tempo e o espaço. Meu sobrinho disse, no dia da minha viagem pra cá: "Parece que quem a gente ama sempre precisa partir"... uma frase bastante reflexiva e triste para uma criança de 9 anos, que estava diante de mais uma despedida, dentre as diversas vividas por ele durante estes poucos anos. Se ele, com esta idade, presenciou o divórcio dos pais, o meu namoro de 5 anos e a separação de seus avós, imagina o quanto nós adultos, pudemos assistir?!

A verdade é que estamos em movimento, em constante transformação. Nossas escolhas mudam com o tempo: haverão sempre amigos para ir e vir, coleguismos que durem o instante de uma colônia de férias, paixões que se diluam em um mês e meio, outros amores que nos arrasem por anos... mas a família, esta a gente leva em si nem que seja no jeito, no reflexo do espelho, nos costumes intrínsecos, aprendidos quase sem perceber.

> Recentemente a Universidade de Connecticut, nos EUA comprovou que, quando na infância, alguns rompimentos geram não só sofrimento emocional mas extrapolam causando uma dor física. Não é preciso ciência alguma para saber que certos laços são mais especiais que outros, mas a gente aprende aos poucos -e não sem dor-, que a sua hora, tudo pode voltar ou simplesmente se solucionar.

É pena que a gente só aprenda isto já com alguma idade.



Eu por exemplo, neste novo ambiente -longe de casa-, procuro lembrar como era o carisma iluminado da minha irmã Ana Kassia ao lidar com as pessoas; tento reproduzir aquilo que lembro das receitas (quase desastradas) da minha mãe Eliana na cozinha; repito sozinha as falas das brincadeiras que o meu sobrinho Lipe coordenava como se fosse o próprio diretor das cenas, e rememoro a risada gostosa de todos eles, percebendo que até nas desavenças com meu irmão, houve algum ensinamento divino de compreensão e respeito as diferenças.

A família se mostra em mim quando me defronto com o espelho e percebo algum traço genético que até me incomoda, mas reafirma a minha origem, ou quando perguntam a mesma coisa que diziam ao meu pai sobre o cabelo que dele herdei: "-É tão preto que parece pintado".

A família se apresenta ao meu acordar, pensando ter ouvido a voz da minha mãe que desde que me lembro às 7 horas dizia meu nome insistentemente "Clara, Clara, Clara!". A família me é quando a saudade bate e mesmo a muitas milhas de distância, o amor conforta, a lembrança apraz e a lágrima se conjuga docemente ao riso, confortado em saber que estão todos bem, ainda que não perto.

Então é fato que todos aqueles que passam nos marcam leve ou profundamente. Como duas folhas de papel que coladas, despedaçam mais ou menos ao separar, dependendo do tempo que ficaram unidas. E acreditando nisso, me contento em saber que se sinto esta presença, é porque também estou do lado de lá e espero que seja também assim tão positivamente.

1 de jan. de 2017

20's Party

Adentrei 2017 em uma festa particularmente bonita. O tema anos 20 não poderia ser mais perfeito pela a escolha de músicas dançantes e roupas glamourosas, em uma data como esta que nos induz a querer juntar em um só milésimo de segundo, todos os nossos anseios pro ano que se apresentará.

Eu sempre me prendi a algumas superstições mesmo desconfiando de algumas delas no decorrer de suas não realizações. Já usei por anos consecutivos calcinhas vermelhas, vestidos brancos, acessórios dourados... e isto, no entanto, não chegou a me conferir paixões avassaladoras, paz interior ou riquezas, como prometiam respectivamente.

Minha virada foi louca e glamourosa 🎩🎼🌟 festa anos 20 com o vestido perfeito @gatsbylady!
Extensions: Irresistible Me


30 de nov. de 2016

Telefonema

 Hoje eu senti um misto de bem e mal estar ao conversar com meu pai via chama de video e perceber o quanto ele envelheceu. Nós nos falamos todos os domingos por telefone, há anos, mas não nos vemos também há muitos anos. Tempo suficiente para que eu tivesse ignorado o tempo pintando seus cabelos, enrugando sua face e transformando aquele homem que eu lembrava sempre tão bem vestido e cheiroso, em um senhor de sessenta e poucos anos, com cara de vovô e não mais de pai garanhão.


Na conversa deixamos escapar algumas lágrimas, que rolaram por associar a voz que semanalmente ouvimos, a imagens que não eram mais aquelas de dez anos atrás. Ele falou como eu estou bonita, chamou-me de um dos diversos apelidos que só ele me dá e eu tentava engolir a surpresa assustadora de vê-lo tão mais velho. Falamos sobre os meus primeiros fios brancos também, que decidiram passar de um, que me surpreendeu bem no topo da cabeça aos 25 anos, a três, de repente, na mesma semana em que completei 26!

Foi um alerta pontual de que eu não sou mais assim tão jovem e um lembrete definitivo de que daqui pra frente tudo em mim e ao meu redor pode começar a parecer menos fácil. Porque sempre me pareceu ótimo envelhecer, do ponto de vista que ficamos mais experientes, mais vividos, maduros. Mas eu não contava com as linhas de expressão fincando traços no meu rosto. Não lembrava que ao passar do tempo meus pais também envelheceriam... não podia prever que veria minha mãe ficando cansada um dia. E como se reage a isto?

Eu realmente sofri hoje, um misto de bem e mal estar. Porque vi no meu pai o rosto de uma pessoa que eu associei ao melhor homem do mundo, mesmo tendo sido ele o pior de todos com a mulher que eu mais amo na vida. Eu fiquei triste por ver ali um homem que fez coisas erradas, que não teve o melhor destino que a vida poderia lhe dar, mas senti um bem em ter amor por ele e simplesmente amá-lo sem motivos além do reconhecimento claro nos olhos daquele que me deu a vida sem mesmo antes me conhecer.

O bem estar foi devido a sensação de colo reconfortante de reconhecer um amor mesmo que a distância, mesmo que um amor turbulento, cheio de contradições, cheio de motivos para não amar, mas resistente, intuitivo, instintivo, definitivo... O bem estar foi devido ao fato de saber que estão bem aqueles a quem devo a vida, seja literal, emocional ou poeticamente.

 E ao mesmo tempo o mal estar veio dilacerando o peito junto ao medo do que vem depois da melhor idade dos meus pais e o peso da realidade que quando crianças fechamos os olhos para não ver: o tempo voa e leva consigo nossa mocidade.


Ana Clara Campelo,
Londres, 30/11/2016

19 de jul. de 2016

Look simples e palavras reais

Aiai, a vida. Tanto tempo passou desde que eu criei esse blog e as vezes parece que só aqui que eu me encontro. Talvez seja por isso que tiramos fotos: para rememorar e manter acesso um passado que nos é sempre tão remoto na mente. A gente lembra pouco e sempre faz questão de ver o ontem com um toque de nostalgia. Supervalorizamos o que já aconteceu, não nos damos conta do presente e tememos absurdamente o futuro, geralmente fazendo dos planos um caos.

É mesmo impossível prever o futuro. O quão grave a vida pode ser, o quão nociva é a vivência, o quão árduo ou belo será o nosso destino. 

Mas nos apegamos, todas as vezes que forem possíveis, ao que já foi -e não será mais. Porque a gente aprende vivendo que oportunidades são únicas. Assim como o dia de hoje, a situação de hoje, o humor de hoje, o "eu" de hoje. E claro, quando volto uns anos atrás nessa linha do tempo que fica na barra lateral do blog, tenho surtos internos, vendo uma moça tão poética que se perdeu por amores possíveis que ela não queria, se perdeu por medo de viajar para seus sonhos, se perdeu as vezes por preguiça de manter-se e se perdeu por puro comodismo a um mundo que não oferece poesia, só humanidade. E esta, passa bem longe do que é um poema, uma valsa, um artefato.

Eu sei que eu não me perdi totalmente, mas eu sinto que mais uma dormência foi ativada. Literalmente. No entanto, sou feliz e grata pelo passado, e não quero revivê-lo. O tempo se foi e eu quero olhar pra frente, pois o hoje realmente não é tão agradável. Sem planos mesmo, o futuro me espera. E eu não temo, ainda que seja ele uma morada sob a terra. Porque mesmo não havendo tanto mais de mim, eu sei que parte do que foi, está em alguém. Para o bem, espero. 




7 de abr. de 2016

Aniversário!


"És pequenina e ris... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve...

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te fez tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente..."

Mãe,

Aprendi a escrever para te fazer cartas. Desenvolvi técnicas de desenho para te criar uma flor, eu mesma. Hoje, se me falam que tenho dom para moda, sei que a senhora foi a inspiração. Se aprendi a usar salto alto, foi porque te vi andar com sandálias altíssimas até dentro de casa, para não deixar a elegância, que também te é inata. E se me perguntam de onde veio a minha timidez e a pele bonita... Eu preciso dizer: minha mãe me deixou herdar um pouco disso também!

Uma menina não é menos do que o reflexo da mãe que tem e eu sei que minha vida embaixo da sua saia foi assim por escolha própria. Desde sempre te acompanhei, crescendo com a idéia de nunca casar para não largar meu amor eterno: minha pequenina, mãe-pai, mulher maravilha.
A vida passa correndo mas o que não passa e inclusive só aumenta é a nossa amizade e admiração uma pela outra. Minha mãe é, acima de tudo, minha melhor amiga e a aquilo que eu gostaria de ser pra um filho um dia.

Determinação, dedicação, simpatia e humildade são as palavras que eu usaria para definir a senhora. Mas a palavra AMOR explica de forma mais óbvia o que a senhora faz, é e representa na vida de qualquer pessoa de seu convívio e até aquelas que acaba de conhecer. Quero ser assim quando crescer!

Desejo toda felicidade do mundo para a senhora, que é quem mais amo e admiro no planeta. Que eu possa ser sempre a sua companheira e aprendiz desse seu jeito docinho que cativa e inspira.
Amo-te muito, Mãe! ❤ Feliz dia 7. Feliz aniversário! Muita saúde, paz e mais amor! sua Clarinha

4 de abr. de 2016

Sobre selfies que apagamos...


Quantas selfies a gente já tentou e nunca postou porque não ficou como o esperado? São tantas as referencias que temos de moda, de beleza, de cores, de forma, que no final das contas nos vemos procurando entrar em um padrão (que nunca alcançaremos), até chegarmos ao ponto de não querermos assumir, a nós e aos outros, detalhes de uma (im)perfeição que é só nossa. Passamos boa parte das nossa vidas classificando as coisas -e as pessoas- de forma antitética: bonito ou feio, bom ou ruim, 8 ou 80... e não damos conta de que a simetria real até na matemática acontece esporadicamente.

É inevitável: desde criança, a gente se compara com as colegas, com as primas, com as bonecas, com as garotas da TV... e eu, desde cedo me vi fugir do padrão. Minha mãe mesmo já dizia sobre minha beleza "excêntrica" e antes dela, os colegas da escola sem precisar dizer, já me faziam refletir sobre meu reflexo no espelho. Não, não era e provavelmente nunca seria uma atriz da globo, muito menos uma modelo de revista. Talvez um personagem do filme do Tim Burton. Mas isso não era atraente pata os garotos, portanto não seria atraente para ninguém, à época!!

Eu cresci na idade (a altura oposta ao que seria ideal, permaneceu). Meus cabelos não ficaram louros e lindos como os da Gisele Bundchen. Meu corpo não mudou muito desde os 12 anos e sabe o que eu mais gosto em olhar para trás e lembrar dos complexos que eu me deixei alimentar?? Eu ainda sou eu mesma. Ainda olho no espelho e vejo a mesma garota que sonha com um mundo melhor. Ainda sinto amor infinito e ainda tenho a certeza de que sou enorme, mesmo com pouco mais de 1,5 m. E eu amo os filmes do Tim Burton! haha

Quantas selfies a gente faz e apaga? Vocês podem pensar que eu estou maquiada na foto, mas acreditem ou não, eu encontrei defeitos e me recusei a postar. Hoje eu lembrei do que me trouxe até aqui: Eu quero a loucura de ser quem eu sou, todos os dias. Pois, como já dizia a Clarisse (Lispector), até meus maiores defeitos podem ser o pilar essencial da minha estrutura.

23 de mar. de 2016

As falsas sensações...


Tem dias em que não vemos muitas esperanças para os nossos problemas. Certos obstáculos parecem invencíveis e o que resta -como se isso aliviasse alguma coisa- é chorar. Eu admito. Sou dessas que pensa demais e acaba se embaralhando nos planos, principalmente quando a noite vem. Que nem criança, que chora por qualquer coisa quando está com sono. E implica e só adormece depois de soluçar bastante.
Ontem eu estava assim, me sentindo triste e sozinha. Chorosa, com pensamentos que me deixavam ainda mais desiludida. E então eu senti o Lipe (meu sobrinho com quem passo o fim de semana) me beijando, levemente, o rosto. Mesmo que eu estivesse, há algum tempo, recolhendo minhas lágrimas para que ele não me visse triste.

Primeiro ele me beijou e voltou pra sua cama. Depois veio de novo. Pegou no meu braço enquanto eu estava deitada, chorando discretamente embaixo do lençol. Beijou meu braço e voltou pra sua cama, onde estava assistindo algum desenho animado. E então por último, após alguns minutos ele veio e me beijou mais uma vez.

Quando eu já tinha me tocado de que a minha sensação de solidão era completamente equivocada, ele pediu pra deitar na minha cama e me chamou pra uma brincadeira que ele insistiu em brincar o dia inteiro sem muito êxito. Eu me senti patética. E claro, parei na hora de pensar naquela ideia idiota de solidão. Porque acima de tudo, a própria presença já devia ser uma companhia, afinal temos na própria composição, um pouco de Deus, um pouco de indizível, um monte de possibilidades. Só estamos sós ou acompanhados dentro de nós mesmos.

Eu talvez estivesse interessada na presença de alguém que não pôde ou não quis estar comigo. E quem importa, e quem realmente deveria estar comigo, está! Eu precisei de um garotinho de 8 anos pra me ensinar mais essa coisinha que mudou meu sono. Eu aprendo todos os dias com ele e penso: Por que será que a gente insiste em crescer se é na infância que estão as respostas para o verdadeiro amor? Sou grata por ver as coisas por perspectivas mais leves. Deus é incrível. ❤

26 de jun. de 2014

I 'Donut' care

Hey, guys! :) Hoje é dia de links aqui no blog, com dica de um site que eu simplesmente ADORO e há algum tempo está guardado aqui para indicar a vocês. Não tem nada a ver com roupas ou sapatos, como é de costume por aqui, mas -melhor que isso- é um blog de garotas, que propõem levantar questões sobre a feminilidade nos dias de hoje, usando textos simples e imagens em aquarela para ilustrar assuntos nem um pouco dispensáveis sobre o nosso gênero.

Como eu gosto de textos que abordem os reflexos dos padrões sociais preestabelecidos em nossas vidas, eu sempre dou uma passadinha lá para conferir mais um discurso do Think Olga. Porque, como dizem elas: "É preciso ter coragem para ser mulher nesse mundo, para viver como uma e para escrever sobre elas!". Como eu ainda não aprendi a tomar toda uma dose de coragem para escrever sobre "elas" aqui, eu indico a vocês o site: Think Olga.

Ana Clara Campelo

31 de dez. de 2012

Happy 2013!!


Uau!! O ano já acabou (eba! o mundo continua)... Partindo daquela ideia de que quando estamos fazendo algo que nos apraz, o tempo passa voando, 2012 foi um ano muito bom para mim! Acho que não tinha como ser diferente: estive próxima das pessoas que eu amo, cercada de boas energias, conheci muita gente nova, tive experiências que me engrandeceram bastante, fui feliz, sorri, chorei, gritei, dei entrevistas, participei de concursos internacionais, eventos importantes (como o Via Verde Fashion, onde fiz a produção de praticamente todas as (14) lojas que desfilaram)...

Enfim, o que foi este ano?! Para além das profecias, das promessas não cumpridas, dos planos que ficaram na caderneta, da dieta que nunca começou... Eu tenho certeza que nunca amei tanto, nunca me senti tão completa e bem sucedida. E espero sinceramente, que 2013 seja muito, muito melhor para mim e para vocês, em todos os campos da vida. Que o amor a si e ao próximo, a paz, o respeito e a compreensão estejam conosco em todos os segundos possíveis durante os próximos anos. Que sejamos felizes, merecidamente.

Muito, muito obrigada pela presença, pela frequência, pelos comentários, pelas visualizações, pelas críticas e elogios aqui no Zebra! Desejo-lhes o melhor!!! Com muito amor, Clara Campelo!    

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Fotos: Renáh Azevedo.


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10 de dez. de 2012

Christmas is coming... be Merry! :)

Não tem mais como fugir: está quase na hora de dizer adeus para 2012. Por aqui o ano passou bem rápido e para comemorar a conclusão de mais esta etapa, nada mais justo do que caprichar no look das festas e juntar muita energia positiva para entrar bem no ano que se aproxima.

A transição de um ano ao outro sempre é um momento de bastante reflexão e planejamentos. Estamos as vezes contentes pela realização de novas conquistas ou mesmo aliviados, ávidos para entrar em um novo ano, onde se deslumbra uma vida nova, como uma folha em branco, onde tentaremos de novo escrever parte da história.

Parece engraçado, mas a gente sempre espera que no ano que vem aconteçam coisas divinas, sem pensar muito no que fizemos ou faremos para alcançá-las... Para mim, mais confuso do que isto, só mesmo a típica decoração natalina –hoje já quase escassa-, um costume secular onde impera um velhinho barbado com traje vermelho, em meio a neve de isopor, pisca-pisca, guirlandas, estrelas cadentes e em alguns casos, um presépio, numa casa em que a paisagem externa é tropical, brasileiríssima, onde nem sequer existem renas ‘voadoras’. #vaientender!

Deixando as coisas estranhas de lado, quando penso em Natal, imagino sempre a família reunida, alguns presentes, a comida da madrinha, uma roupa confortável e mensagens de amigos. Há alguns anos eu ainda fazia muitas cartas e entregava-as com o valor sentimental de um presente, mas já não se fazem mais festas de Natal e ano novo como antigamente -é claro que eu me divirto, mas antes eu era criança e meus olhos brilhavam com uma força incontrolável...

A coisa bonita fica para o ano novo, quando todo mundo começa a se declarar, fazer suas macumbinhas e desejar felicidades aos céus. Tem coisa mais bonita do que demonstrar nossos sentimentos e desejos? O melhor do fim do ano é que a gente não precisa ter vergonha de acreditar. Podemos enfim, seguir os rituais antigos para atrair o que precisamos e incrivelmente, enche-nos de esperanças!

Acho que, conforme os anos vão passando, o maior desafio do ser humano é incorporar ou adaptar-se ao novo sem perder a própria essência. Entrar e sair de um ano é apenas uma delimitação que as vezes não tem nada a ver com o nosso ritmo interno. Existem ainda infinitas maneiras e 364 dias pela frente para encher o peito de coragem e determinação de novo e de novo...

Clara CampeloClara Campelo



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25 de nov. de 2012

Wild Thing

A little bit about me/ my brain today: Fashion, Inspirations, love. Moved by art, personality, eyes, coffee, weeks modern art, fashion weeks in Paris, classic art, shoes with vertiginous heights, polaroids, live, dream. Wary and shy. Live the dream, compulsion, cinema and smile. Long hugs, dance nonstop, improvisation, eighties, writing, kissing, spectacle, thrill, books, freedom. Coffee without cigarettes. Chocolate daily. Glasses of all shapes and sizes. Red Lips. Long hair. Gender studies. Feminism. Autonomy. Still I'll write a book. Trained in Portuguese lyrics. Studying Architecture BUT I dream of being a stylist. All colors of the rainbow. But I love red, black and white. Gothic Architecture. Gold and silver. Overeating. High waistband. Leather, Spikes, Crosses, Skulls, Flowers. And thank heaven for mental illness.

Clara Campelo

26 de set. de 2012

Thoughts...

Liberdade é poder se expressar. Sem imposições, sem regras, mas com revoluções. Fugir do mesmo, ser audacioso, dizer sim e não com mais verdade, silenciar quando preciso, berrar quando impreciso e buscar a si ou a alguma coisa... Se os começos dão frio na barriga, finais dão o que? Em mim, igualmente, embrulham o estômago e mexem com todo o conjunto de órgãos internos, gerando porém, uma sensação de que não devo olhar para trás.
É preciso uma revolução para cada fim. E se a cada dia há um crepúsculo e o momento das 'zero' horas, por que não, naturalmente, fazermos um renascimento individual após despertar para a manhã? Nascer e morrer envolvem libertações de estados físicos, espirituais e mentais, por isso acho que dormir não será muito diferente de uma pequena morte. Então tudo bem se acordar para a vida hoje, disser frases desconexas e sorrir para o nada? Hoje estou inspirada pelo cinza que abriu a manhã. Espero que tenham um dia muito agradável!! ;*

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