Ao longo desses anos, passei por momentos de dificuldades as vezes comuns para imigrantes. Entre crises de identidade, solidão, desilusão e problemas financeiros, eu já quis desistir, já empaquei, já pensei em mudar de área profissional e enfim, essas coisas que acontecem quando não temos o preparo e a força psicológica suficiente para encarar a vida sozinha em um país tão diferente (mas isso é assunto para outro post, talvez).
Lembro-me que lá no inicio do curso, uma amiga me falou de um estagio que estava fazendo em um museu e me convidou para ir conhecer o espaço. Ela disse que se eu quisesse, poderia me candidatar também ao mesmo cargo e que ela me ajudaria. Mas eu achei tudo aquilo enorme e não consegui naquele momento me imaginar fazendo aquele trabalho. Sentia que não falava italiano bem o suficiente e deixei a ideia numa caixinha, bem guardada, mas com um certo peso por não ter aceitado a ajuda oferecida.
| Triennale Milano. Fonte: Google |
Mas em Novembro do ano passado, numa das incontáveis vezes que a Itália fechou tudo em um lock down por causa do corona vírus, eu já não aguentava mais ficar em casa e comecei a pensar no que poderia fazer para mudar a situação. Foi visitando museus online (uma das coisas boas que podia fazer estando em lock down), que encontrei a oportunidade de candidatar-me a uma experiência de três meses como mediadora cultural em um dos edifícios mais importantes da Itália. A resposta veio meses depois, quando finalmente os museus puderam ser abertos ao publico e no final de Abril eu já estava em treinamento.