Tenho voltado a este blog pelo menos uma vez a cada quatro meses. Reli o texto de aniversário do ano passado e tentei refletir sobre o quanto mudo enquanto, ao mesmo tempo, nada parece mudar. Na verdade, as mudanças acontecem, mas talvez meu anseio constante por estabilidade torne o processo mais lento.
Ainda me sinto grata pela casa, pelo gato e pelo casamento. Neste ano, comecei a trabalhar com algo diferente e reencontrei uma versão mais resiliente de mim, que só havia aparecido em momentos específicos. Acho que a humildade sobre a qual refleti ao longo desses anos de imigração faz muito mais sentido agora. Superar o próprio ego, atravessar as questões culturais e aplicar, na prática, os conceitos dos livros de cunho filosófico-espiritual têm sido o caminho mais rápido para compreender a mim mesma no mundo e o mundo em mim.
Já pensei muitas vezes em deletar esta página. Como quem transforma o fechamento em degrau, o fim em portal e o rompimento em preparação para uma nova fase. Mas quem sou eu para desfazer meu apego a mim mesma? Eu, que, mesmo depois do fim de relacionamentos, passo anos regurgitando-os? Dedico tanto tempo a tentar entender o outro, revivendo na memória o que aconteceu e o que significou. Se não consigo apagar facilmente o outro nem as versões de mim que ele trouxe à tona, por que apagaria as partes mais genuínas de mim mesma?
Escrever, associar ideias a imagens e me alongar em justificativas tétricas são coisas que faço há mais tempo do que consigo lembrar. E, mesmo que um dia a neurociência comprove que esse seja um dos hábitos mais nocivos à vida humana, continuarei escrevendo. Afinal, esta foi a primeira e única descoberta que fiz sobre mim até agora: escrever me revela, me alivia e me realiza.
Neste ano, completo 36 anos. A idade me impacta um pouco, mas também me alegra. Comecei uma pós-graduação em Psicologia Analítica e, finalmente, as coisas estranhas que eu associava no passado começam a fazer algum sentido. Sei que os significados que atribuo às coisas podem parecer um tanto lunáticos às vezes. Mas ler Jung me faz sentir menos alucinada. É como se eu finalmente tivesse encontrado um adulto que não ignoraria os pensamentos e as criações da criança que fui.
Também me alegra reconhecer a multiplicidade de interesses que compartilho com ele. Aos poucos, começo a me permitir estudar aquilo que, na infância, considerava apenas hobbies bobos, sem utilidade profissional.
A numerologia é um dos assuntos com os quais comecei a flertar aos 12 anos. Mesmo sem muito embasamento, continuei intrigada com a recorrência de certas letras e com o fato de estar cercada por pessoas do mesmo signo zodiacal, entre outros padrões. Nunca me aprofundei de fato nesses assuntos, mas eles me intrigavam o suficiente para que eu comentasse sobre essas repetições aparentemente imutáveis. Eu já havia aceitado que era assim. Sabia que devia haver algum significado, mas preferi deixá-lo livre para se revelar.
Hoje, penso: 3 + 6 = 9. Assim como 2 + 7 = 9 e 1 + 8 = 9.
Em 2008, prestes a completar 18 anos, criei o blog que depois ficaria conhecido na minha cidade.
Em 2017, prestes a completar 27, imigrei para a Itália e comecei o mestrado em Crítica e História da Arte.
Em 2026, prestes a completar 36, comecei a trabalhar com aquilo que mais rejeitei nos últimos dez anos e iniciei uma pós-graduação em uma área que realmente gosto de estudar.
Será que a virada dos próximos dez anos terá algo a ver com isso? Gostaria de estar fazendo algo capaz de mudar o rumo das coisas. Todas as escolhas que fiz nesses momentos citados transformaram tudo ao meu redor. Espero que uma nova jornada esteja finalmente se abrindo — desta vez, com mais consciência, consistência e retorno financeiro.
Completar trinta e poucos anos é uma bênção. Achei que não chegaria aos 40 e planejei uma vida sem filhos e sem marido, para não precisar dar conta de ninguém. Parte desse plano se concretizou, mas hoje estou reavaliando meu relacionamento. Confesso que sempre fui indecisa, embora tenha mantido relações muito longas. Com a idade, porém, parece que comecei a ter medo de deixar meu coração livre novamente...
Espero que, no ano que vem, as coisas estejam muito melhores a esta altura.
Clara, o que você vai me trazer de revolucionário nesta idade de novos ciclos?

