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21 de abr. de 2018

Reflexão do dia - sobre o avião

Lá de cima eu pensei: que os ventos são sempre certos, mesmo quando bagunçam tudo. No avião, eu lembrei que sempre fico tonta quando ele decola - e ironicamente escolhi um piloto pra namorar. No avião, tantas milhas acima do chão, meus pés flutuavam e minha cabeça levitava em outro plano: meditei!

Tem gente ali que só quer voar pra fugir, há quem esteja ali a trabalho, outros em busca de diversão, pra mim é sinônimo de casa: porque ele me leva pra alguém em algum lugar.

Pra alguns dá medo, pra outros adrenalina, pra mim tontura, pra outros é aventura. Tem gente que viaja sorrindo, tem gente que viaja chorando. E há quem faça os dois, porque viajar é deixar um lugar e ir de encontro a outro, muitas vezes pela primeira vez! Lá as ideias se misturam entre ontem e amanhã. Avião é uma máquina de agora com muita pressa.

Avião é transição, Avião é passarão... que como toda ave, estreita espaços e tempo de um jeito sublimin-AR.
Avião é experiência pura! É a nossa chance de ser ágil e grande. Porque estamos todos na mesma velocidade que ele, mesmo sentados {se é que me lembro bem das ininteligíveis aulas de física na escola}.

Viajar... é mergulhar na gente de um jeito novo a cada vez que os pés pousam no chão. E dessa vez, por milagre, eu não senti náuseas. Será que finalmente fiz as pazes com o avião?!  ✈️ #verborragias

19 de mar. de 2018

Desabafo | Sobre a Timidez

Uma vez me disseram que eu deveria expor o meu problema para que as pessoas se fizessem mais empáticas e me recebessem de modo menos crítico. Sem saber que não era tão fácil e "real", eu ouvi o conselho e acabei perdendo as contas das vezes que senti a necessidade de dizer: “Desculpe, eu sou tímida”. Passei tanto tempo precisando me justificar para os outros por não saber lidar bem com situações “comuns” aos grupos sociais -mas nem por isso fáceis para minha confusa mente- que cheguei ao ponto de me odiar e acreditar verdadeiramente que não era boa o suficiente. Enquanto isso, a imagem que eu passava de antipática, antissocial, metida, arrogante, estranha, já estava bem fixa para muitas das pessoas que me rodeavam e conviviam sem substancial interação.


É possível que muitas crenças me bloqueiem, é óbvio que eu não desenvolvi, como muitos aprenderam na infância, a superação daquela primeira barreira que acontece ao ver um conhecido ou desconhecido na rua e simplesmente demonstrar-se presente com uma palavra ou um gesto. Não treinei o suficiente para ser aquilo que todos esperavam: acessível, simpática, clara e sociável. Mas nestes tantos momentos comigo mesma, a busca por compreender minhas apreensões e os anseios do mundo externo, assim como a realização dos meus passos sedentos por expressão, me possibilitaram descobrir que não adianta me justificar, pois a ação é o que realmente conta nesse intenso e imediato modo de viver contemporâneo. O mundo é feroz com quem não segue a linha e a competitividade não é só no campo do trabalho, mas em todas as relações sociais; nos estudos, na academia, na TV, na vida toda!


Já ouvi muitas vezes que não pareço tímida e a última vez que me disseram, veio seguido de: “se fosse tímida, ainda estaria na casa da sua mãe e não morando sozinha do outro lado do mundo”. Essa afirmação, tão convicta como se me lesse sem pestanejar, mas tão superficial e rasa como todas as outras já recebidas, me fez -uma vez mais- concluir que as pessoas não ligam de verdade se você tem uma limitação: elas se contentam com aquilo que “PARECE”, o que aparenta ser... a típica “primeira impressão” ou até segunda, terceira, décima... pois este é o mundo em que se você é normalmente sociável e passa por um dia ruim, tem que fingir harmonia e distribuir sorrisos pra não parecer “chato”.


22 de jun. de 2017

Saudades

Há o momento em que percebemos o quanto nossas raízes extrapolam o tempo e o espaço. Meu sobrinho disse, no dia da minha viagem pra cá: "Parece que quem a gente ama sempre precisa partir"... uma frase bastante reflexiva e triste para uma criança de 9 anos, que estava diante de mais uma despedida, dentre as diversas vividas por ele durante estes poucos anos. Se ele, com esta idade, presenciou o divórcio dos pais, o meu namoro de 5 anos e a separação de seus avós, imagina o quanto nós adultos, pudemos assistir?!

A verdade é que estamos em movimento, em constante transformação. Nossas escolhas mudam com o tempo: haverão sempre amigos para ir e vir, coleguismos que durem o instante de uma colônia de férias, paixões que se diluam em um mês e meio, outros amores que nos arrasem por anos... mas a família, esta a gente leva em si nem que seja no jeito, no reflexo do espelho, nos costumes intrínsecos, aprendidos quase sem perceber.

> Recentemente a Universidade de Connecticut, nos EUA comprovou que, quando na infância, alguns rompimentos geram não só sofrimento emocional mas extrapolam causando uma dor física. Não é preciso ciência alguma para saber que certos laços são mais especiais que outros, mas a gente aprende aos poucos -e não sem dor-, que a sua hora, tudo pode voltar ou simplesmente se solucionar.

É pena que a gente só aprenda isto já com alguma idade.



Eu por exemplo, neste novo ambiente -longe de casa-, procuro lembrar como era o carisma iluminado da minha irmã Ana Kassia ao lidar com as pessoas; tento reproduzir aquilo que lembro das receitas (quase desastradas) da minha mãe Eliana na cozinha; repito sozinha as falas das brincadeiras que o meu sobrinho Lipe coordenava como se fosse o próprio diretor das cenas, e rememoro a risada gostosa de todos eles, percebendo que até nas desavenças com meu irmão, houve algum ensinamento divino de compreensão e respeito as diferenças.

A família se mostra em mim quando me defronto com o espelho e percebo algum traço genético que até me incomoda, mas reafirma a minha origem, ou quando perguntam a mesma coisa que diziam ao meu pai sobre o cabelo que dele herdei: "-É tão preto que parece pintado".

A família se apresenta ao meu acordar, pensando ter ouvido a voz da minha mãe que desde que me lembro às 7 horas dizia meu nome insistentemente "Clara, Clara, Clara!". A família me é quando a saudade bate e mesmo a muitas milhas de distância, o amor conforta, a lembrança apraz e a lágrima se conjuga docemente ao riso, confortado em saber que estão todos bem, ainda que não perto.

Então é fato que todos aqueles que passam nos marcam leve ou profundamente. Como duas folhas de papel que coladas, despedaçam mais ou menos ao separar, dependendo do tempo que ficaram unidas. E acreditando nisso, me contento em saber que se sinto esta presença, é porque também estou do lado de lá e espero que seja também assim tão positivamente.

31 de dez. de 2012

Happy 2013!!


Uau!! O ano já acabou (eba! o mundo continua)... Partindo daquela ideia de que quando estamos fazendo algo que nos apraz, o tempo passa voando, 2012 foi um ano muito bom para mim! Acho que não tinha como ser diferente: estive próxima das pessoas que eu amo, cercada de boas energias, conheci muita gente nova, tive experiências que me engrandeceram bastante, fui feliz, sorri, chorei, gritei, dei entrevistas, participei de concursos internacionais, eventos importantes (como o Via Verde Fashion, onde fiz a produção de praticamente todas as (14) lojas que desfilaram)...

Enfim, o que foi este ano?! Para além das profecias, das promessas não cumpridas, dos planos que ficaram na caderneta, da dieta que nunca começou... Eu tenho certeza que nunca amei tanto, nunca me senti tão completa e bem sucedida. E espero sinceramente, que 2013 seja muito, muito melhor para mim e para vocês, em todos os campos da vida. Que o amor a si e ao próximo, a paz, o respeito e a compreensão estejam conosco em todos os segundos possíveis durante os próximos anos. Que sejamos felizes, merecidamente.

Muito, muito obrigada pela presença, pela frequência, pelos comentários, pelas visualizações, pelas críticas e elogios aqui no Zebra! Desejo-lhes o melhor!!! Com muito amor, Clara Campelo!    

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Fotos: Renáh Azevedo.


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31 de ago. de 2012

8 ou 80: Medos, bobagens e explicações...


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Tenho medo de gente, tenho medo de altura, tenho medo de morrer tragicamente, tenho medo de banheiro público, tenho medo de ser uma artista frustrada e também tenho medo de falar as vezes...  Eu tenho medo de várias coisas, mas a que está me deixando mais angustiada ultimamente, é o medo de que as pessoas tenham percebido (ou não) a ausência das minhas verborragias aqui pelo ZebraTrash. Na verdade é meio que uma mistura de medo com vergonha, por não ter vergonha na cara mesmo. Eu sei que fica cada vez mais claro que eu estou virando uma chata -sem galocha e- sem criatividade. Mas depois de um tempão sem escrever, eu andava definhando pelos cantos, sabendo que a minha decepção era comigo mesma.

Acho que a gente escreve quando as coisas transbordam. E as coisas não tem transbordado muito pela minha vida, por conseqüência de uma bola de neve que se formou com o atribulado ano de 2011. Tá! Eu sei que já passamos da metade de 2012, mas o ano passado me deixou tão cheia de dúvidas e medos, que quase me transformou em outra pessoa. Mudanças na vida familiar e acadêmica, trabalho incerto, tapas na cara, depressão 'pós-motivoalgum' e um monte de outras bobagens que me influenciaram a ficar ainda mais calada e passiva -ai, como eu odeio essas características.

Pois é que na verdade, para mim, quando as coisas não estão ligadas no 80 não valem muito a pena. Essa fase de fim de curso (e são 2 ao mesmo tempo) me deixa em estado de alerta vermelho e eu acabo criando uma capa de tranquilidade tão mentirosa quanto meus dedos estáticos. Fico ligada no 8. Acabo não valendo a pena, não rendendo. Estou quase entediada em ter que me podar, e confesso que estou muito preguiçosa também. Eu até tive tempo de escrever -e olha que eu sou paga pra isso-, mas parece que a minhas idéias se enrolavam formando um nó como trezentos e setenta e cinco 'oitos', assim, infinitos...

Alguma coisa não me deixou nem pensar no que escrever. E a culpa desse vazio é minha mesmo! Antes eu conseguia escrever porque não ficava horas de cara pro computador, antes eu saia pelo menos uma vez na vida pra visitar meus amigos e sabia dizer as coisas com maior linearidade e coesão, eu sabia ficar arrepiada lendo um livro do inicio ao fim, eu sabia fazer leituras de paisagens, eu sabia sair correndo para o nada no meio da noite sem nem cogitar o arrependimento...

Ontem eu li um post no blog da  Ojana Coutinho (obrigada Ojana! ;) falando sobre o Zebra Trash, meu estilo e meus textos. Fiquei super emocionada em saber que alguém ainda se dá ao trabalho de buscar algum texto meu pra ler. Além disso, adorei a montagem que ela fez usando a frase da moda "Keep Calm and". Tomei até a liberdade -ou melhor, atitude- de me dar um tapa na cara depois de ler a mensagem. O termo trashion era pra expressar a minha inconstância, o meu lado brega, o meu lado podre, o púdico e o vazio também: o meu silêncio. Eu não posso mesmo me estabilizar no 8 se o que me mantém na linha da (in?) sanidade é o 80. 

Acho que esqueci que existe vida e que ela é cheia de declives. Por me cobrar demais, eu acabei me esvaziando. Sem paciência pra ouvir críticas, sem paciência pra me olhar no espelho e admitir que estou dez quilos mais gorda depois da minha primeira depressão de 2011; sem paciência pra deixar de me odiar por não estar sendo a Clara que eu queria ser. Deixei meus medos pequenos me tomarem o corpo todo. E foi uma loucura... Mas eu vou sair dessa ressaca. Afinal, sexta feira que é dia de encher a cara e curtir a vida. Talvez eu comece hoje a minha antiga-nova fase Trashion 80's (Because I don't want to keep calm!).  Agora, depois dessas oitocentas toneladas de letras saindo de mim, eu sei que já posso voltar ao modo trash-on.


Grata pela leitura!
Tenham um ótimo fim de semana! ;*

Ilustração: Renáh Azevedo





28 de jul. de 2012

Acho que sábado é a rosa da semana.


Those things Pink
Porque hoje é sábado e eu acordei mal humorada sem saber um motivo plausível que justificasse essa amargura, resolvi escrever um pouco depois de passar alguns momentos nostálgicos. Essa greve das universidades federais me deixou bastante sentida, porque agora eu não passo um tempo desmedido na biblioteca e não tenho mantido contato com a amiga que me acompanhava ao café umas três vezes por semana pra falar de amor, espiritualismo e ler poesia com sorrisos apertados de esperanças.

1 de mar. de 2012

Lust for life!

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Até onde será que vai a nossa liberdade? Em um momento de dinamismo urbano e social em que tudo parece se 'desplumar pelo ar' em segundos, até onde podemos, de corpo e mente, sedentários ou acelerados? Até onde é o Agora?

A "modernidade líquida" processa tanta informação do passado e acaba estagnando seu conhecimento ao ponto único de levitar sobre seu próprio terreno temporal. Eu também queria poder voltar no tempo como o protagonista do filme "Meia noite em Paris" e conhecer grandes nomes das artes. Ídolos meus, como Rembrandt, Flávio de Carvalho, Dali e Tristan Tzara, só pra citar uns dos loucos por quem me apaixono sempre que leio a história. Assassinos, insanos, problemáticos, ou seja lá o que mais tenham sido para seus contemporâneos, eu só sei que fizeram o que sua vontade inqueria. A liberdade da mente, do inconciente, do que é natural ao ser humano e tanto se reprime com as limitações atitudinais da vida em "trabalhar, comer, comprar e amar" na sequência da frase.

Os meus textos, o meu jeito, o meu espaço, as minhas roupas: tudo é um pouco de mim, tudo é a expressão da minha alma que simplesmente não pretende fazer sentido. Eu não me contento em precisar cumprir com as espectativas alheias.
Surpresas? Avanços? Talvez eu não mova nada nem ninguém com essas minhas fremitudes. Mas acho que é preciso sentir o próprio arbítrio antes de andar na linha do trem. O que esperam da gente é realmente o que nos tornará felizes?

"Visão é recurso da imaginação para dar às palavras novas liberdades". Já disse Manoel de Barros para simplificar todo o meu texto.
Que nosso amor pela vida se equipare a dimensão da nossa capacidade reflexiva e nos impulsione a uma liberdade espiritual absoluta!
Obrigada pela visita e ótimo fim de semana!




22 de fev. de 2012

Legging Estampada: Galaxy Print


No meu carnaval particular, usei a máscara de pessoa que escreve na frequencia do pensamento, além de uma linda legging estampada, presente da Lídia Bimbi (Trinta milhões de obrigadas e parabéns pelo trabalho incrível! :), uma conterrânea que mora em Brasília e trabalha com estamparia textil. Ela me enviou o presente há mais de um mês e eu não via a hora de chegar um dia com clima agradável que me permitisse levar esse monte de estrelas para onde eu fosse...

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Não é sem freqüência que me permito gastar horas da vida a pensar sobre a relação das pessoas com suas próprias máscaras. Eu, que havia sempre pensado em laborar na arte da poesia, desde que me entendo por alguém sensível -no meu âmago de pessoa indiferente- percebo um choque de eus que ignora boa parte do que fui enquanto aspirante a poeta, atriz ou mesmo pintora. Viver é quase uma experiência contraditória, quando somos um a cada instante, quando somos influenciados, quando vestimos e desvestimos, quando negamos ou aceitamos...
Eu sempre odiei a palavra moda e de repente estou aqui para vestir minha personalidade e dizer sempre a vocês sobre alguma coisa que pode vir a ser ditadura neste meio. Acontece que, como ser construto e camaleônico, se é que posso assim dizer-me sem ofender meus valores mais instrínsecos, transfiguro-me em verdade a cada óptica que tenho sobre as coisas. Mesmo com tanta influência antiga e admiração pelo clássico, eu adoro me permitir ao anarquismo, a percepção de cada autor como se ninguém fosse realmente certo, ou melhor, fosse cada um dono de sua verdade. O dadaísmo fez isso comigo. Estudá-lo para perceber-me absorvida em niilismo, de não sentido, de sim e não e tudo e nada. 
Em meio à ditadura do “tem que usar” de todos os blogs e revistas de moda ao redor do mundo, eu me propuz a quebrar um paradigma: Falar de roupa como quem fala de uma máscara, de uma persona que reflete ou não um interior complexo até para si. Se antigamente, ir contra a maré podia dar em morte, hoje talvez, sem fazer história eu acabe entrando apenas para a contagem dos loucos anônimos.
Mas sem problemas não fazer sentido em um mundo que se volta para trás numa obsessão pelo revival. Posso justificar minha aluscinação pela infuência em qualquer movimento futurista da arte e ainda ser "dahora" seguindo a retrofuga. Estou flutuando nas Claras que sou...
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Legging com estampa cósmica a venda (Brasil) no blog Topetuda: R$ 100,00 + frete.
E uma opção gringa é a Black Milk, que tem uma variedade incrível de peças. *-*





20 de fev. de 2012

Inverno Amazônico


Feriadão de carnaval, folga, festa e também tragédia! Em Rio Branco mais de 15 mil imóveis foram atingidos até agora pela cheia do Rio Acre. Muitas famílias estão desabrigadas enquanto muitas outras tem aproveitado as horas livres para comtemplar o Rio que só sobe a cada dia.

Quando eu era menor, sempre ouvia minha mãe falar das cheias do rio que chegavam até a casa da minha avó, ali quase ao lado da ponte de concreto, por trás da antiga Agro Boi. Ela contava que mesmo com a alagação, ainda tinham gás pra ir curtir o carnaval, indiferentes. Mas até então eu só ouvia os relatos da minha família sobre o quanto havia subido o Rio Acre em décadas anteriores e estou impactada como muitos outros habitantes, com a ferocidade que tem avançado o Rio. Sem poder fazer muito além de me surpreender com as águas, aproveitei o fim de tarde em que fui comer esfihas na gameleira para tirar essas fotos. Era sexta feira e o nível ainda não havia subido a calçada. De lá pra cá, vocês imaginam como já subiu...

Rio Acre Fevereiro de 2012Rio Acre 2012 Tiago Tosh ArtRio Acre 2012Rio Acre 02/2012

Para ajudar os desabrigados, o tem conseguido arrecadar doações com postos montados em vários pontos da cidade, inclusive em cada extremo de onde está acontecendo o Carnaval (um na entrada pela Amadeo Barbosa e outro na entrada pela Arena da Floresta).
Eu já fiz a minha parte, mas nunca é demais, certo? Vocês também podem fazer suas doações nos postos dos Supermercados Araújo, Via Verde Shopping, Polícia Militar, Uninorte, Catedral, OCA, Fieac, Sebrae entre outros pontos de arrecadação disponíveis aqui.


14 de fev. de 2012

Do Latim, Patior...

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Que é a paixão? Será a transmutação dos valores, o inconsciente, a criatividade, o amor transfigurado, a antítese do ódio, o perigo real? Se é da paixão que trata a literatura e se não há romantismo literário sem a imagem da mulher, não haverá a palavra paixão sem a idéia do feminino subentendida. Por que nos tornamos objetos desse sentimento e ainda buscando-o em todos os campos da vida, sabendo-o fugaz, nos permitimos aos sintomas extremos a que ele nos induz?

Bem se sabe que o grande movimento da paixão, o Romantismo -pelo menos no Brasil- foi um projeto de nacionalidade que para além disso, tinha caráter didático para a classe feminina, que aprenderia ali como se portar perfeitamente, sendo narradas cheias de perfeições fenotípicas e repletas de qualidades de anjo. Aliás, o principal precursor da corrente, o calvinista Jean Jackes Rousseau, acreditava na natureza virginal das mulheres e das crianças, que não se corrompiam [pela condição de inferioridade], aos pensamentos do homem.

A paixão, palavra que vem do verbo latino,
patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil, significa também pertubação e doença, e na prática, de fato faz o indivíduo perder a individualidade além da sanidade, tamanho o fascínio que o outro exerce sobre o demente apaixonado.

Mas a paixão é coisa de mulherzinha. No terceiro milênio "cada qual pega geral" e a palavra foi vulgarizada ao ponto de manter presença certa apenas nas composições clichês dos cantores mais 'dahora' -principalmente no pagode e sertanejo, onde a temática surpreendente das músicas permite uma verdadeira releitura dos sucessos e as novas canções apenas fazem uma troca de lugar de palavras. Já no século XIX, os autores românticos usavam a doença como metáfora. E as mulheres que se apaixonavam e viviam amores perfidiosos ou proibidos, logo ficavam doentes e morriam de uma doença do peito: de paixão, ou segundo os sintomas dados nas literaturas, morriam de tuberculose ou de tristeza. Morriam de amor, para parecerem ainda mais frágeis... Afinal, as mulheres sempre foram colocadas como o segundo sexo, e não podiam ficar sobre outro posto senão o de seres mais facilmente enleváveis.

A paixão sempre foi para mim uma epidemia da qual eu queria nunca precisar experimentar. Aos meus míseros nove anos, já distinguia bem homem e mulher e seus aspectos comportamentais dentro dos relacionamentos amorosos, mesmo nos desenhos animados. Pensava, tentando mentalizar uma oração para uma Deusa feminina: "Nossa, se todas as mulheres grandes se apaixonam, eu prefiro nunca crescer, porque parecem todas tolas, limitadas, cegas!"; e foi por isso também que eu chorei ao receber minha menarca, ao sair de um parque onde brincava de balanço com uns primos mais novos e ouvi minha mãe dizer o clássico "agora você já é uma mocinha". Depois disso, lembro que chorei por pelo menos quatro dias, enquanto a maldita se fazia presente ao meu corpo ainda infantil que relutava em ser algo qualquer que não um corpo de mulher.

Mas a paixão, antes que eu esqueça, é a maior representação do amor impossível. E porque é impossível se faz pertubadora, deixando insatisfeito o orgulho típico do ser humano, que luta para retomá-lo. Diferente do amor, a paixão é finita. Porque é também comum ao homem, prostrar o vigor e as esperanças frente a uma conquista. Logo se busca outra e a luta justifica o ardor já gasto.

Ao fim das contas, apaixona-se por pessoas belas. Aprendemos nos livros, pois, a
amar as feias e sofrer pelas criaturas divinizadas, por aquelas que o substantivo traduz: patior. Não damos 'patior' a pessoas feias, porque elas não merecem. Ou pelo menos é isso que o seu/ua amigo/a diz quando você pensa em sofrer: "Ah, mas ela não merece isso. Ela nem sequer é bonita." Viu só? Esse será o modelo Etnocêntrico, no qual vivemos sem perceber, buscando colocar no topo [do falo] os ditos poderosos por posse de beleza e bens monetários. E pouco importa se a figura se faz aceitável pelo que emana de sua aura: "Alô, mana! A gente se apaixona por uma imagem pré-concebida!". E é de príncipes encantados que estou falando. Não procuramos gente real para idealizar. Tenho dito...

Hoje é o Dia de São Valentim, dia do amor romântico e também uma das datas mais comerciais do mundo... Eu não podia deixar de fazer uma das minhas eventuais e irônicas verborragias. Viva ao amor e aos meus textos gigantescos! haha Bom dia! ;*





13 de abr. de 2011

Le peintre fou perdu dans le siècle dernier...

06/2010  X 04/2011

    A arte sempre teve papel primordial na minha vida. Desde a infância, quando com quatro anos eu aprendi a fazer a minha primeira reprodução e descobri o mundo das tintas, eu pareço me perder em sensações quando mantenho o contato com o que se trata de expressão, seja pictórica, musical, literária ou verbal.

    Quanto mais estudo sobre estética e leio sobre Arte, mais tenho vontade de conhecer os diversos conceitos concebidos sobre este ultimo termo tão subjetivo que ao longo da história, por mais tentativas que se façam, não irá conceber nunca uma determinação fixa sobre o nome em conceituação plena. O que é Belo? O que é Arte -com maiúscula?

    Assim como a vida, a morte e o amor, o termo universal "Arte" possui uma estreita relação com a essencialidade do ser, com o mais intrínseco valor humano. No íntimo, consideramos arte aquilo que nos comove, aquilo que remete a uma memória, uma identidade, ainda que sejam elas forjadas.

    Sei que pareço fugir daquilo que vocês procuram quando entram no meu blog quando começo a tratar de assuntos como este. Arte não é uma coisa muito legal de se discutir em um ambiente de distração na contemporaneidade, não é mesmo? Essas coisas ficam geralmente para as salas de aula. E na academia é que ficam, limitando-se ao espaço livro/leitor/sala de aula; Não vai muito além dali.

    Mas é neste ponto que eu sempre quero tocar. No ponto certo de lembrar a alguém que relute em me ler os pensamentos: Arte é inútil quando o assunto é interminável e complexo, mas é essencial e tão vital a humanidade quanto se tornaram as máquinas desde sua invenção.

    Eu não costumo acordar e pensar sobre o que vou falar durante o dia porque há dias em que todo o meu vocabulário adquirido só é usado para formar curtas frases como "Bom dia" ou "Com licença". Mas acordo com a vontade de compreender algo no céu ou em alguma parte do meu percurso diáfano. Olhar a natureza, a natureza das coisas, permite-me uma distração inenarrável e assim eu penso na Arte como um prazer que não se limita a obras classificáveis ou já classificadas, mas como uma observação consequente de uma sensibilidade adquirida.

   Muitas vezes o que me inspira na escolha de uma roupa é um dos quadros que ficam pendurados nas paredes do meu quarto. Outrora eu leio algo que me faz montar uma imagem na mente e assim eu junto essas cores para uma expressão linear. E eu crio então meu próprio conceito de arte moderna com a segurança de já ter lido cartas de autores dos mais célebres, que convenciam um a um, com suas certezas sobre seu objeto de estudo e resultados, tornando-se antagônicos e nem por isso insanos de sua concepção antológica sobre Arte.

    Mas se o assunto é interminável, melhor que eu me volte a imagem do topo e passe a dizer sobre o pouco que devia para tornar menos chata a publicação de hoje para os que lêem minhas palavras também - e não só as imagens. Pois bem, se não há Arte porque não há conceito incólume, há apenas artistas. E o artista é todo aquele que possui a sensibilidade de observar a natureza em seu aspecto mais subtil e essencial. Artista será aquele que adquire a técnica criada em si, de reproduzir um sentimento que ele absorveu e em profunda inspiração, expirou sobre alguma forma: seja pela voz em sua música ou pelos membros, com a habilidade dos traços ou machas. Artista é quem o é, sem que no exato instante seja preciso a identificação social do artista para tal nominação.

"Então, artista é aquele que expressa."

    Há alguns meses foi o que eu buscava entender quando pintei com tinta Guache uma mulher com um traje cheio de referências existencialistas e em algumas correntes do século XX. E quando ou quem se prestaria a analisar a minha pintura com olhos críticos a ponto de se deparar com essas inspirações senão eu mesma que a fiz? Um quadro não diz muito a quem não enxerga por trás das inúmeras reticências que o mantém.

    Foi no mês de Junho do ano passado [2010] que pintei esta mulher, pensando em um modelo indumentário que me serviria se não fosse o calor da minha terra. E agora, passados dez meses, olhei para o quadro e senti o momento como ideal para vestir o traje cheio de influências modernistas. Para meu espanto, encontrei quase todas as peças que desenhei em meu guarda-roupas. Pensei imediatamente que aquilo se tratava de Memória Identitária e segui o dia sem refletir mais sobre isto como se relacionar os fatos tivesse sido uma descoberta sem mais significados -e não são.

    Eu não usei as roupas desta forma para sair de casa, porque sem sombra de dúvidas, o calor em poucos minutos aniquilaria minha idéia inicial. Mas sem a camisa masculina que foi sobreposta, foi possível "viver" a mimese.

    As cores sóbrias, o caramelo da bolsa de couro e a camisa de seda... Tudo inspirado no século passado e ao mesmo tempo, objetos mais que atuais, onipresentes no mundo da moda dos ultimos meses. E quem irá dizer que esses objetos foram releituras de um momento ainda mais expressivo? Hoje a sociedade possui realidades diversas e as descobertas se voltam muito mais aos meios de comunicação e entretenimento sem reflexão porque a técnica de arte não é levada em conta. A gente contempla qualquer coisa, porque a fugacidade da ação é a premissa do momento.

    E neste mundo tão irônico, onde se perdem valores essenciais enquanto avançam as tecnologias, quem vai dizer que a moda não é Arte andando por aí?...

Clara Campelo
Rio Branco, 13/04/2011