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20 de fev. de 2012

Inverno Amazônico


Feriadão de carnaval, folga, festa e também tragédia! Em Rio Branco mais de 15 mil imóveis foram atingidos até agora pela cheia do Rio Acre. Muitas famílias estão desabrigadas enquanto muitas outras tem aproveitado as horas livres para comtemplar o Rio que só sobe a cada dia.

Quando eu era menor, sempre ouvia minha mãe falar das cheias do rio que chegavam até a casa da minha avó, ali quase ao lado da ponte de concreto, por trás da antiga Agro Boi. Ela contava que mesmo com a alagação, ainda tinham gás pra ir curtir o carnaval, indiferentes. Mas até então eu só ouvia os relatos da minha família sobre o quanto havia subido o Rio Acre em décadas anteriores e estou impactada como muitos outros habitantes, com a ferocidade que tem avançado o Rio. Sem poder fazer muito além de me surpreender com as águas, aproveitei o fim de tarde em que fui comer esfihas na gameleira para tirar essas fotos. Era sexta feira e o nível ainda não havia subido a calçada. De lá pra cá, vocês imaginam como já subiu...

Rio Acre Fevereiro de 2012Rio Acre 2012 Tiago Tosh ArtRio Acre 2012Rio Acre 02/2012

Para ajudar os desabrigados, o tem conseguido arrecadar doações com postos montados em vários pontos da cidade, inclusive em cada extremo de onde está acontecendo o Carnaval (um na entrada pela Amadeo Barbosa e outro na entrada pela Arena da Floresta).
Eu já fiz a minha parte, mas nunca é demais, certo? Vocês também podem fazer suas doações nos postos dos Supermercados Araújo, Via Verde Shopping, Polícia Militar, Uninorte, Catedral, OCA, Fieac, Sebrae entre outros pontos de arrecadação disponíveis aqui.


14 de fev. de 2012

Do Latim, Patior...

valentines

Que é a paixão? Será a transmutação dos valores, o inconsciente, a criatividade, o amor transfigurado, a antítese do ódio, o perigo real? Se é da paixão que trata a literatura e se não há romantismo literário sem a imagem da mulher, não haverá a palavra paixão sem a idéia do feminino subentendida. Por que nos tornamos objetos desse sentimento e ainda buscando-o em todos os campos da vida, sabendo-o fugaz, nos permitimos aos sintomas extremos a que ele nos induz?

Bem se sabe que o grande movimento da paixão, o Romantismo -pelo menos no Brasil- foi um projeto de nacionalidade que para além disso, tinha caráter didático para a classe feminina, que aprenderia ali como se portar perfeitamente, sendo narradas cheias de perfeições fenotípicas e repletas de qualidades de anjo. Aliás, o principal precursor da corrente, o calvinista Jean Jackes Rousseau, acreditava na natureza virginal das mulheres e das crianças, que não se corrompiam [pela condição de inferioridade], aos pensamentos do homem.

A paixão, palavra que vem do verbo latino,
patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil, significa também pertubação e doença, e na prática, de fato faz o indivíduo perder a individualidade além da sanidade, tamanho o fascínio que o outro exerce sobre o demente apaixonado.

Mas a paixão é coisa de mulherzinha. No terceiro milênio "cada qual pega geral" e a palavra foi vulgarizada ao ponto de manter presença certa apenas nas composições clichês dos cantores mais 'dahora' -principalmente no pagode e sertanejo, onde a temática surpreendente das músicas permite uma verdadeira releitura dos sucessos e as novas canções apenas fazem uma troca de lugar de palavras. Já no século XIX, os autores românticos usavam a doença como metáfora. E as mulheres que se apaixonavam e viviam amores perfidiosos ou proibidos, logo ficavam doentes e morriam de uma doença do peito: de paixão, ou segundo os sintomas dados nas literaturas, morriam de tuberculose ou de tristeza. Morriam de amor, para parecerem ainda mais frágeis... Afinal, as mulheres sempre foram colocadas como o segundo sexo, e não podiam ficar sobre outro posto senão o de seres mais facilmente enleváveis.

A paixão sempre foi para mim uma epidemia da qual eu queria nunca precisar experimentar. Aos meus míseros nove anos, já distinguia bem homem e mulher e seus aspectos comportamentais dentro dos relacionamentos amorosos, mesmo nos desenhos animados. Pensava, tentando mentalizar uma oração para uma Deusa feminina: "Nossa, se todas as mulheres grandes se apaixonam, eu prefiro nunca crescer, porque parecem todas tolas, limitadas, cegas!"; e foi por isso também que eu chorei ao receber minha menarca, ao sair de um parque onde brincava de balanço com uns primos mais novos e ouvi minha mãe dizer o clássico "agora você já é uma mocinha". Depois disso, lembro que chorei por pelo menos quatro dias, enquanto a maldita se fazia presente ao meu corpo ainda infantil que relutava em ser algo qualquer que não um corpo de mulher.

Mas a paixão, antes que eu esqueça, é a maior representação do amor impossível. E porque é impossível se faz pertubadora, deixando insatisfeito o orgulho típico do ser humano, que luta para retomá-lo. Diferente do amor, a paixão é finita. Porque é também comum ao homem, prostrar o vigor e as esperanças frente a uma conquista. Logo se busca outra e a luta justifica o ardor já gasto.

Ao fim das contas, apaixona-se por pessoas belas. Aprendemos nos livros, pois, a
amar as feias e sofrer pelas criaturas divinizadas, por aquelas que o substantivo traduz: patior. Não damos 'patior' a pessoas feias, porque elas não merecem. Ou pelo menos é isso que o seu/ua amigo/a diz quando você pensa em sofrer: "Ah, mas ela não merece isso. Ela nem sequer é bonita." Viu só? Esse será o modelo Etnocêntrico, no qual vivemos sem perceber, buscando colocar no topo [do falo] os ditos poderosos por posse de beleza e bens monetários. E pouco importa se a figura se faz aceitável pelo que emana de sua aura: "Alô, mana! A gente se apaixona por uma imagem pré-concebida!". E é de príncipes encantados que estou falando. Não procuramos gente real para idealizar. Tenho dito...

Hoje é o Dia de São Valentim, dia do amor romântico e também uma das datas mais comerciais do mundo... Eu não podia deixar de fazer uma das minhas eventuais e irônicas verborragias. Viva ao amor e aos meus textos gigantescos! haha Bom dia! ;*