Mostrando postagens com marcador Contracultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contracultura. Mostrar todas as postagens

18 de mar. de 2013

Gothic way

O estilo Gótico marcou a minha vida de uma forma fenomenal. Desde que me entendo por gente, adoro desenhar e brincar com cores e, como deve parecer óbvio, foi daí que surgiu a minha vontade de cursar arquitetura. Desde cedo buscava inspirações na história. Na adolescência, depois de me apaixonar pelas peculiaridades da arquitetura gótica, a subcultura me abraçou com força, e foi quando comecei a montar uma estética visual mais voltada ao decadentismo do rock, com influências punk, steampunk e moda vitoriana.

Mas a história do Gótico começa muito antes disso, ainda na Idade Média, no contexto do Renascimento do Século XII. Identificável por características muito próprias, principalmente na arquitetura (mais especificamente na construção de catedrais), surgindo como resposta à austeridade românica. O estilo ficou marcado em muitas catedrais europeias, dentre elas a de Notre-Dame, que está no topo da minha lista de lugares para conhecer antes de ficar velha. hahaha!

Na moda, o gótico tem dado suas caras há algum tempo, trazendo suas cores sombrias, em especial para o inverno, além de uma febre por crucifixos que tomou até os mais céticos na existência divina. Baseada nesse meu amor pelo gótico, o look de hoje não fala exatamente a língua germânica dos godos, mas estampa o que eu considero clássico no meu guarda-roupas: os óculos redondos, a referência na arquitetura (os vitrais da camisa) e o verticalismo metaforizado pelos high heels. Os acessórios marcados pela predominância de cruzes e caveiras são da Kek Bijoux e look total da Romwe. Espero que gostem! ;*

   Gothic

31 de jan. de 2012

Prosa

Renáh <3praça (2)Pracinhapraça sdpraça P&B

Férias acabando e os dias passando como se fossem horas. Na verdade, o tempo tem passado rápido desde que entrei na faculdade. Quando cheguei, aqui, Santo Deus! Eu era uma criança! Mostrando qualquer coisa que fosse eu, parte de mim, qualquer que fosse o dia, narrando os momentos pelas metades. Agora eu estou quase me formando em duas faculdades e minhas experiências as vezes parecem me tornar cada vez mais confusa.
É engraçado como a gente acaba tendo que repetir o que as pessoas mais velhas falavam quando estávamos crescendo. “A vida é bela e passa rápido demais”. Mas esqueceram de dizer que as pessoas são todas muito incompletas e que algumas precisam de mais tempo pra deixar de lado certas incompletudes, que afinal não são infantilidades, mas pobrezas de ser como indivíduo. As crianças entendem melhor as coisas. Aprendi isso com o pequeno príncipe e tenho aprendido com a criança com quem convivo. Parece que a maldade nelas é escassa, e quanto mais tem contato com os adultos, mais elas aprendem esses sentimentos nocivos a alma.
Acho que as vezes posso não fazer muito sentido. Vocês chegam aqui e querem saber sobre moda ou seja-lá-o-que-for. Mas acontece que eu fiz esse espaço para dizer essas coisas mesmo, um monte de viagens que me ocorrem e de repente eu preciso gritar. Para dizer quase nada e ao mesmo tempo o mais possível, é que se criam diários. Há tempos compartilho meus sentimentos com vocês e quanto sou grata, nem imaginam, quando lêem...
“Quem, dentre vós, já não sentiu a adorável sensação da repentina falta de temor de um bicho esquivo?”
Pois bem, é isso a que me proponho leitores amigos. Algo que não seja como o legume enlatado que todos têm por acomodo em seus armários. De alguma forma dizer para que aproveitem a juventude (e lembrem-se que a velhice só chega após quinze anos contados a partir da idade que tiverem) para fugir dos próprios medos e vencer o monstro da insegurança de ser, de falar, de vestir. O tempo passa voando, as oportunidades se acabam e roupas são apenas carcaças, máscaras que se usam no dia-a-dia para camuflar certos defeitos de fábrica ou salientar futilidades.
Claro que esses posts como o de hoje são como protestos, tem algo de contracultura sem fazer menção. Mas não é nada de mais. É apenas um complemento para fotos que podiam dizer sozinhas.
Que as minhas palavras sirvam e que o dia seja ótimo para todos nós! :*

Fotos. Renardy Azevedo
Roupa. Vintage. Vintage. Vintage.



13 de abr. de 2011

Le peintre fou perdu dans le siècle dernier...

06/2010  X 04/2011

    A arte sempre teve papel primordial na minha vida. Desde a infância, quando com quatro anos eu aprendi a fazer a minha primeira reprodução e descobri o mundo das tintas, eu pareço me perder em sensações quando mantenho o contato com o que se trata de expressão, seja pictórica, musical, literária ou verbal.

    Quanto mais estudo sobre estética e leio sobre Arte, mais tenho vontade de conhecer os diversos conceitos concebidos sobre este ultimo termo tão subjetivo que ao longo da história, por mais tentativas que se façam, não irá conceber nunca uma determinação fixa sobre o nome em conceituação plena. O que é Belo? O que é Arte -com maiúscula?

    Assim como a vida, a morte e o amor, o termo universal "Arte" possui uma estreita relação com a essencialidade do ser, com o mais intrínseco valor humano. No íntimo, consideramos arte aquilo que nos comove, aquilo que remete a uma memória, uma identidade, ainda que sejam elas forjadas.

    Sei que pareço fugir daquilo que vocês procuram quando entram no meu blog quando começo a tratar de assuntos como este. Arte não é uma coisa muito legal de se discutir em um ambiente de distração na contemporaneidade, não é mesmo? Essas coisas ficam geralmente para as salas de aula. E na academia é que ficam, limitando-se ao espaço livro/leitor/sala de aula; Não vai muito além dali.

    Mas é neste ponto que eu sempre quero tocar. No ponto certo de lembrar a alguém que relute em me ler os pensamentos: Arte é inútil quando o assunto é interminável e complexo, mas é essencial e tão vital a humanidade quanto se tornaram as máquinas desde sua invenção.

    Eu não costumo acordar e pensar sobre o que vou falar durante o dia porque há dias em que todo o meu vocabulário adquirido só é usado para formar curtas frases como "Bom dia" ou "Com licença". Mas acordo com a vontade de compreender algo no céu ou em alguma parte do meu percurso diáfano. Olhar a natureza, a natureza das coisas, permite-me uma distração inenarrável e assim eu penso na Arte como um prazer que não se limita a obras classificáveis ou já classificadas, mas como uma observação consequente de uma sensibilidade adquirida.

   Muitas vezes o que me inspira na escolha de uma roupa é um dos quadros que ficam pendurados nas paredes do meu quarto. Outrora eu leio algo que me faz montar uma imagem na mente e assim eu junto essas cores para uma expressão linear. E eu crio então meu próprio conceito de arte moderna com a segurança de já ter lido cartas de autores dos mais célebres, que convenciam um a um, com suas certezas sobre seu objeto de estudo e resultados, tornando-se antagônicos e nem por isso insanos de sua concepção antológica sobre Arte.

    Mas se o assunto é interminável, melhor que eu me volte a imagem do topo e passe a dizer sobre o pouco que devia para tornar menos chata a publicação de hoje para os que lêem minhas palavras também - e não só as imagens. Pois bem, se não há Arte porque não há conceito incólume, há apenas artistas. E o artista é todo aquele que possui a sensibilidade de observar a natureza em seu aspecto mais subtil e essencial. Artista será aquele que adquire a técnica criada em si, de reproduzir um sentimento que ele absorveu e em profunda inspiração, expirou sobre alguma forma: seja pela voz em sua música ou pelos membros, com a habilidade dos traços ou machas. Artista é quem o é, sem que no exato instante seja preciso a identificação social do artista para tal nominação.

"Então, artista é aquele que expressa."

    Há alguns meses foi o que eu buscava entender quando pintei com tinta Guache uma mulher com um traje cheio de referências existencialistas e em algumas correntes do século XX. E quando ou quem se prestaria a analisar a minha pintura com olhos críticos a ponto de se deparar com essas inspirações senão eu mesma que a fiz? Um quadro não diz muito a quem não enxerga por trás das inúmeras reticências que o mantém.

    Foi no mês de Junho do ano passado [2010] que pintei esta mulher, pensando em um modelo indumentário que me serviria se não fosse o calor da minha terra. E agora, passados dez meses, olhei para o quadro e senti o momento como ideal para vestir o traje cheio de influências modernistas. Para meu espanto, encontrei quase todas as peças que desenhei em meu guarda-roupas. Pensei imediatamente que aquilo se tratava de Memória Identitária e segui o dia sem refletir mais sobre isto como se relacionar os fatos tivesse sido uma descoberta sem mais significados -e não são.

    Eu não usei as roupas desta forma para sair de casa, porque sem sombra de dúvidas, o calor em poucos minutos aniquilaria minha idéia inicial. Mas sem a camisa masculina que foi sobreposta, foi possível "viver" a mimese.

    As cores sóbrias, o caramelo da bolsa de couro e a camisa de seda... Tudo inspirado no século passado e ao mesmo tempo, objetos mais que atuais, onipresentes no mundo da moda dos ultimos meses. E quem irá dizer que esses objetos foram releituras de um momento ainda mais expressivo? Hoje a sociedade possui realidades diversas e as descobertas se voltam muito mais aos meios de comunicação e entretenimento sem reflexão porque a técnica de arte não é levada em conta. A gente contempla qualquer coisa, porque a fugacidade da ação é a premissa do momento.

    E neste mundo tão irônico, onde se perdem valores essenciais enquanto avançam as tecnologias, quem vai dizer que a moda não é Arte andando por aí?...

Clara Campelo
Rio Branco, 13/04/2011