Podemos considerar um futuro diferente? A modernidade nos deixou com poucas ilusões. O século passado ainda se arrasta com seus valores ultrapassados e o vazio de perspectivas acaba nos tornando individualistas e confusos. A idéia de sustentabilidade tanto quanto de naturalidade nas atitudes humanas, veio como por reflexo de uma sociedade que viveu alienada por descobertas utópicas.
A transformação, em seu curso, trouxe males não só biológicos, mas sociais – e dos mais graves. A nova sociedade, tão impulsiva com seus olhos vidrados nos lançamentos contínuos de novas tecnologias, não teve tempo nem interesse em aprender sobre Arte em seu estado mais puro.
Vejo, pois, um desvio do avanço moderno ou a concretização das suas bases mais rijas. A sistematização das coisas, a fugacidade e dinamismo, nos impede de notar até a imponência visual e riqueza histórica de prédios tombados.
Passamos depressa pelas ruas, em nossos carros. Não ouvimos os pássaros, pois, os que ainda se apresentam são silenciados pelas caixinhas de som ou fones de ouvidos incorporadas em todos os objetos que levamos como parte de nós.
A cidade segue triste. E não posso dizer que deveria ser diferente: o homem a escolheu para viver e a mudou como tudo o que toca.
Percebo em minha cidade ainda, uma ingenuidade de formas e partidos. Nova e bastante rejeitada pela nação pela qual lutou, sente o reflexo de atitudes que não se dariam em sua língua, não fosse a influência que se impõe certeira. A arquitetura só agora se faz mais vernacular, usando de artifícios de uma moda que se gerou por necessidade. Ainda assim, eu a considero válida e talvez mais original do que a transposição de elementos alheios, pois peculiar, nossa terra possui uma aura invejável em termos de escala.
Então, acho que a expansão da tecnologia, que nos dificultava saber o que era novo e diferente, tornou tudo tão sem graça, que tivemos que apelar para o rebuscamento do passado. Voltamos a algumas décadas, na busca de nos encontrar em ares mais puros e quiméricos. Os anos 50, 60, 80(...) pareciam mais repletos seres reflexivos e maduros. A moda parecia mais cheia de personalidade e a arte se fazia com a alma, não como para ser fugaz e ordinária como nos anos 2000.
Parece que o sonho que se fez nos anos 60 de usar capacetes e poder passear e construir casas na lua nos anos 2000, quando prostrado, fez a sociedade calar um pouco a ambição, e um a um, se trancar em seus caixotes habitáveis, desiludidos. Não vou falar aqui de amor, pois há quem defenda que ainda somos românticos. Mas a verdade para mim, é que muito se perdeu em arte escrita e consciência de Belo. Por isso, nem quando vemos as invenções mais absurdas dos japoneses, nos admiramos mais: há um sentimento de indiferença que faz parecer que já esperávamos por aquilo.
Daí então, o meu texto é como qualquer outro acerca da vida contemporânea. Uma visão a mais sobre o mundo vão que não reflete sobre qualquer contexto. Apenas vive, e não critica nem a si, pois isso tomaria um tempo em que se poderia acumular milhares de informações inúteis pela internet.
Enfim, desconsiderem a aparência tétrica do texto, e por favor, tentem apenas refletir. Espero por respostas, ansiosa, sobre o que lhes vier a cabeça. Boa tarde!
Rio Branco, Ac, photos and text by me.