Hoje acordei nostálgica. Voltei aos meus doze anos e parei para pensar naquilo que vestia. Dentre muitas recordações engraçadas e envergonhadas, acabei notando também que sempre sinalizei muita coisa através da minha vestimenta e parece que os meus gostos ainda são os mesmos, assim como eu quase não notei os anos avançarem.
Num domingo passado, usei este look para ir a uma festa de aniversário e pensei bastante sobre os meus pés. Os spikes foram muito presentes na minha infância e adolescência. Remanescentes do estilo Punk, exatamente por sua direta relação com o Rock, eram símbolos que identificavam os adoradores do som mais pesado. Hoje em dia, no entanto, eu os vejo por todos os lados nos braços das patricinhas, das madames e das roqueiras, como se não houvesse mais aquele olhar que rotulava as vezes excluindo (e não há).
Se antigamente a identidade visual dos indivíduos dependia de objetos e cores ou circunstâncias como a classe social, religião e nacionalidade, hoje noto que tudo parece mais misturado, mais democrático. Nós podemos moldar nossa identidade diariamente, semanalmente ou a cada seis meses, quando chega uma nova coleção que nos brilhe aos olhos e convença a usar. Seja isso bom ou não, eu só sei que adoro poder usar spikes dos pés a cabeça -literalmente, porque até tiaras de skipes eu já comprei nos ultimos dias- sem pagar de revoltada por aí...