Umas das coisas que me diverte na moda é a elocução estrondosa com que se inspira e cria, interagindo, renovando e eternizando, de certa forma, alguns elementos, sejam eles tradicionais ou até mesmo irrelevantes. Eu já falei para vocês aqui no blog que eu sempre fui muito contra a moda como movimento de massa, como influência sem reflexão sobre o porquê do objeto, e claro, foi por isso que criei esse espaço, com a intenção de dizer um pouco sobre como a forma de vestir pode ser um reflexo ou não da nossa composição interior. Eu mesma, como poucos de vocês sabem, sou tímida ao extremo, as vezes evito sair para não ter que lutar contra meu medo dos outros, no entanto, aos meus leitores visuais, passo esse ar de segura e "cool", por conta das roupas que uso e tanto adoro. Passando as vezes até por fútil e exibicionista, quiçá por antipática e metida. Mas quem conhece um pouco mais do que a minha fotografia e palavras de cumprimento, sabe que essa carcaça está para nos pequenos graus de convivência.
A moda nos últimos tempos tem disso: você pode usar uma peça vintage sem necessariamente escutar música retrô ou mesmo sem pretensão de fazer referência a década de onde nasceu aquele modelo. Assim, pelo menos, justifico-me ao fato de ser por dentro esse mundo de nostalgias, voz calma, mente pilhada e comportamento ameno e um pouco limitado, e por fora, ser um pouco mais que uma profusão da minha mente inspirada em momentos oníricos.
Já fazia um tempo que eu não escrevia minhas viagens a vocês, mas eu não consegui resistir em falar hoje. Lembrei que comprei minhas ponteiras metálicas à la western no início do ano passado, e agora estou vendo por todas as partes, em especial pelo facebook, muitos modelos circulando e circulando. Lembro que vi esses acessórios em fotos da coleção Primavera/Verão 2011 da Balenciaga, onde Giselle Bunchen posou sob várias camisas com aquele detalhe de metal na gola, e foi então quando lembrei dos filmes de faroeste que meus pais assistiam quando eu era mais nova. Os cowboys usavam muitos detalhes metálicos marcantes não só nas golas das camisas, mas nas botas, nos chapéus e também nos cintos, que eram predominantemente largos com fivelas enormes. As mulheres nos Westerns films ainda usavam espartilhos e vestidos imensos e apesar de serem muito bonitas e penteadas, eu sempre gostei muito mais da moda masculina ali presente.
O legal disso tudo, pra terminar o meu enredo, é que há quase um século nos libertamos dos espartilhos e melhor que isso, hoje podemos pagar de amazonas por aí usando o look inteiro do cowboy sem ir pra cadeia, pra fogueira ou rotuladas de homossexuais (ok, essa ultima ainda persiste, mas vamos lá...). Podemos usar as ponteiras metálicas que surgiram sabe-se lá em que instância durante a colonização do oste norte-americano, venerando Balenciaga pela criação do elemento (notem ironia aqui) agora tão difundido quanto as jaquetas com franjas no street style europeu -tendência esta também muito presente nos filmes supracitados.
E foi assim mesmo que eu fiz: Marquei a cintura como marcavam as moçoilas nos filmes de Bang Bang, coloquei peças contemporâneas usando todos os detalhes metálicos -em dourado- que notei possíveis e saí de ultra salto de camurça com um anel estilo soco inglês e uma pistola formada com os dedos para caso alguém quisesse invadir o meu espaço hahaha!!
Bom, isto é o que tenho para vocês hoje. Espero que gostem e tenham um ótimo fim de semana. ;*